domingo, 23 de março de 2014

Taizé - Uma experiência única e inesquecível

O testemunho da experiência vivida pela nossa Lumen Fidei Rosária Seabra.



Taizé é uma experiência única e inesquecível, difícil de colocar em palavras. É algo que só pela própria vivência pode ser inteiramente descrito e entendido.
Taizé é um lugar que nos permite, primeiramente, refletir, refletir sobre tudo. Refletir sobre nós próprios, sobre as nossas ações, os nossos princípios, sobre os que nos rodeiam, sobre a nossa relação com os outros, sobre a maneira como vemos o mundo e que nos permite, principalmente, refletir sobre Deus e sobre a relação que temos com ele. Porque Taizé de uma maneira inexplicável permite-nos encontrar a paz e o equilíbrio trazendo ao de cima o que de melhor há em cada um de nós, levando-nos a desejar seguir os ensinamentos de paz, amor, perdão, compreensão, respeito que Deus nos trouxe e leva-nos a desejar ter a capacidade de sermos melhores pessoas e de conseguir completar a missão que Deus nos deu de tornar o mundo um pouco melhor. Tendo sempre a certeza de que Ele está connosco e de que nos protege.
No encontro de irmão Roger com os portugueses alguém perguntou qual era, para o irmão, a qualidade que mais caracterizava Taizé. E após refletir sobre a questão respondeu: “A simplicidade”. Tudo em Taizé é um apelo à simplicidade. Quer os próprios espaços, que são desprovidos de grandes confortos, quer as refeições, que não têm qualquer tipo de extravagância ou requinte mas que desempenham a sua função de alimentar. O pequeno-almoço era constituído por chá ou leite com chocolate, um pão, manteiga e duas barritas de chocolate negro. Como não nos era fornecido qualquer tipo de talher tínhamos de a aquecer, primeiro, a manteiga debaixo do chá ou leite e depois com o papel que embrulhava a manteiga ou com uma das barritas de chocolate barrar a manteiga no pão. As refeições do meio-dia e da noite eram constituídas por um prato de massa, arroz, ervilhas, puré ou lentilhas, uma ou duas fatias de pão, queijo, uma peça de fruta (maçã ou laranja), e bolachas. E o único talher que nos era dado era uma colher pelo que descascávamos laranjas com a colher e barrávamos o queijo no pão com o cabo da colher. O lanche era apenas constituído por uma bolacha e chá.
O dia em Taizé começava com Eucaristia às 7:00 horas da manhã (que não era obrigatória). Às 8:15 horas era iniciada a oração da manhã seguida do pequeno-almoço que era iniciado por um rapaz gritando “Good morning everybody it’s time for breakfast” e por um cântico. Às 10:00 horas se não tivéssemos trabalho tínhamos encontro com o grupo de reflexão. Era iniciado por um irmão com a introdução ao tema de uma passagem da bíblia que era posteriormente lida e discutida, depois juntávamo-nos com o nosso grupo de reflexão (os grupos de reflexão estavam organizados por idade, e o meu era constituído por, para além de mim, duas pessoas de Viseu e por cinco de França) e respondíamos às questões que nos eram fornecidas. Às 12:20 horas havia oração que era seguida do almoço. À tarde podíamos ir à aldeia passando pela capela do silêncio ou passear pela comunidade e visitar o jardim do silêncio, o Oyak (pequeno bar), assistir aos workshops, ou conviver com as outras pessoas. Quem tinha encontro do grupo de reflexão de manhã, tinha o trabalho à tarde. O meu trabalho era das 16:00 às 18:00 horas e tinha como função garantir que as pessoas faziam silêncio no Jardim do Silêncio e de fechar o Jardim, indo entregar a chave à La Morada. O lanche era das 16:30 até às 15:30 horas. Às 19:30 era o jantar e às 20:30 horas era a oração da noite.
As orações de Taizé são iniciadas com alguns cânticos e depois é lida uma passagem da bíblia, seguido de um momento de silêncio e é finalizado com mais alguns cânticos. A oração mais intensa era a oração da noite. Era a oração que fazia todos os nossos sentimentos vir ao de cima pelo que era frequente ver alguém a chorar.
Taizé é um lugar que apela à simplicidade, ao convívio, à partilha e ao encontro de nós mesmos e de Deus. É um sítio maravilhoso que desperta em nós o desejo de repetir a experiência vivida e de conseguir trazer, para o nosso dia-a-dia, todos os bons sentimentos e conhecimento que obtivemos em Taizé.



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